Algumas das minhas tarefas recentes me levaram ao vasto mundo da saúde animal, ou seja, aos mercados emergentes da Ásia-Pacífico, Oriente Médio, África e América Latina. Lá, você encontrará um cenário diferente para o nosso setor, com necessidades e motivações distintas daquelas em que, às vezes, nos concentramos demais — que são os mercados consolidados dos EUA e da Europa. (Observação: recentemente, vi que está sendo apresentado um projeto de lei estadual no Oregon que, essencialmente, proíbe a caça, a pesca e a criação de animais. Imagine apresentar isso a alguém nas ruas de Calcutá?)
Nos mercados emergentes, observa-se um crescimento significativo nos cuidados e gastos com animais de estimação. A inovação continua sendo muito valorizada e, em geral, tem bom desempenho quando introduzida nesses mercados. No entanto, a acessibilidade financeira é um grande problema, e encontrar maneiras de tornar os produtos mais disponíveis para uma população maior será uma das grandes oportunidades para o nosso setor.
Quanto à criação de animais para consumo, trata-se de um grande motor de crescimento — nesses mercados, há bilhões de pessoas para alimentar, que continuam crescendo a uma taxa superior à das populações adultas desses mercados. Disponibilidade, preço acessível e segurança alimentar serão sempre os temas dominantes nessa área. Enquanto nós, em supermercados como Whole Foods ou Marks & Spencer, vemos rótulos com termos como "orgânico", "criado solto", "sem hormônios" ou "sem antibióticos", em lojas no Brasil ou na Indonésia, a escolha é outra: o que está disponível e o que eu posso pagar?
A dualidade desses mercados distintos (madura versus emergente) cria escolhas difíceis para as empresas de saúde animal sobre como direcionar sua visão e decisões estratégicas. Na minha opinião, aquelas que fizerem isso da maneira correta serão as vencedoras e as mais sustentáveis.
Paul Casady